Estallido Latinoamericano



Com a fome e os desejos, a raiva se desenvolveu.
Raiva condensada de preguiça e desespero, fúria de anos e séculos de desigualdade negligenciada.
Pessoas fartas das constituições e dos poderes ditatoriais perpetrado, farto da ganância e da exploração sem vergonha, farto do roubo e
lamentam a morte de seus líderes sociais a cada semana.
Coalizão de poderes.
Você não aguenta mais.
Explosão.
A explosão como um impulso iminente, como uma força contida até o ponto de ebulição.
Explodindo como um grito de angústia, mas
também de celebração de ainda, apesar de tudo, ter garganta para guinchar.
Surto como dignidade.
Panelas afundadas pela força da insistência, colher quebrada, bandeira pisoteada, eucalipto sob o nariz.
Primeiras linhas.
Armas explodindo contra as pessoas, líquidos tóxicos em o rosto, de nuvens de asfixia e de chumbo.
Cascos de cavalos pisando rostos.
Olhos perdidos.
Abundante de desinformação, racismo, dominação
simbólica, de xenofobia. Abundante com a luta de classes, com a etnia. 
Absurda perda de direitos: direitos de mobilidade, direitos de congregação, direitos de reclamação,
de privacidade, de protesto, de luto, direito de existir.
Perda do direito de existir.
Explosão, porque, como um fusível, no momento, em
que se acende, não há volta a dar. Tudo o que explode dá partículas que permanecem no ar para sempre. 

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Estas imagens pertencem aos protestos sociais
América Latina até o final de 2019 no Equador, Chile, Bolívia e Colômbia.

Imagens de Isadora, Paz, Wara y Ximena.